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Cooperativas em Rio dos Cedros

Publicado em 13/12/2013 às 11:03 - Atualizado em 26/11/2015 às 12:21

O sistema cooperativo de trabalho faz parte do modo estrutural e cultural da Província de Trento, de onde vieram os imigrantes que colonizaram Rio dos Cedros. Sem qualquer dúvida, um dos grandes fatores, se não o principal, que fizeram o trentino superar a grande crise que causou a emigração em massa de sua população no século XIX, foi a adoção do sistema cooperativista de trabalho.

Nas colônias trentinas e italianas, mais especificamente no caso de Rio dos Cedros, superadas as dificuldades básicas iniciais, relativas a vias de acesso e terrenos preparados para o plantio, começaram a surgir as primeiras sementes do cooperativismo. 
Rio dos Cedros foi pioneiro na implantação de cooperativas. Os motivos eram de cunho econômico: o comércio de Blumenau (Rio dos Cedros ainda era parte do vasto território de Blumenau) estava nas mãos dos colonizadores alemães, que através de suas firmas de comércio altamente organizadas, centralizavam toda a exportação de tabaco do Vale. Rio dos Cedros tinha, naqueles anos, como principal item de produção agrícola o tabaco, mas, apesar disso, quem mais obtinha lucro com essas vendas eram os comerciantes alemães da sede de Blumenau. Tal situação fez com que os agricultores se unissem, de forma a garantir o retorno financeiro de seu trabalho.
Antes que vingasse a idéia do cooperativismo em Rio dos Cedros, duas tentativas frustradas ocorreram. A primeira, fundada em 1893, denominada simplesmente de "Società del Tabaco", realizou uma operação de exportação com resultados muito abaixo do esperado, o que desestimulou os colonos integrantes (cerca de 80). A segunda cooperativa, denominada "Società di Mutuo Socorso", de 1897, surgiu de forma mais organizada, com quadro de integrantes e estatutos, todavia, mais uma vez, a demora na obtenção de lucros, e os resultados abaixo do esperado fizeram com que os integrantes se dispersassem.
A terceira tentativa de fundação de uma cooperativa em Rio dos Cedros, em 1899, teve a liderança de Andrea Largura, bem como o auxílio do Dr. Giovanni Rossi, famoso socialista que teve passagem pelas colônias italianas no vale do Itajaí, auxiliando os colonos com novas técnicas de plantação e cultivo.
Essa nova cooperativa logo tentou exportar suas mercadorias, mas tinha dificuldades em encontrar alguém que fizesse as transações com os comerciantes alemães de Bremen e Hamburg, cidades destino das mercadorias produzidas.
Segundo narração do próprio Andrea Largura, reproduzida no livro "História de Rio dos Cedros", de 1975, do Pe. Victor Vicenzi, para garantir que não terminasse frustrada essa nova tentativa de cooperativismo, decidiu o próprio Andrea Largura, apesar de não saber falar alemão e não ter tido qualquer experiência comercial antes, viajar para a Alemanha, com o parco capital que dispunha a nova cooperativa, para efetivar a venda do tabaco.
Conforme a narrativa, Andrea embarcou em um navio no porto de Itajaí denominado Normandia, rumo as cidades de Bremen e Hamburg. Chegando na Alemanha, Andrea entrou em contato com os importadores, sem conseguir resultados efetivos. Procurou então um interprete que lhe auxiliasse na transação. Em nova audiência, expôs que o tabaco que estava oferecendo era o mesmo que as empresas blumenauenses em poder dos alemães lhe enviavam, só que por preço melhor, sem intermediários na venda.
Após 18 dias na Alemanha Andrea resolveu retornar, tendo conseguido apenas deixar fardos do tabaco em consignação para venda. Retornando para o Brasil, ainda em Florianópolis, entrou em contato com o então Cônsul Italiano, Gherardo Pio di Savoia, o qual se comprometeu em auxiliar nas tratativas com os importadores alemães.
Chegando em Rio dos Cedros, Andrea teve a grata surpresa de encontrar um carta da Alemanha, informando que o tabaco deixado em consignação fora vendido, bem como uma ordem de pagamento para a cooperativa a ser paga no Banco de Blumenau. Com tal montante, foi possível pagar todas as despesas da viagem, bem como repartir as sobras com os cooperados. 
Tal narrativa é um demonstrativo da coragem e do valor desses trabalhadores, que apesar de humildes, conseguiam vencer as adversidades e possibilitar o progresso.
A partir dessa empreitada, a cooperativa de Rio dos Cedros inspirou confiança em todos, e revestida de novo ânimo, tomou o impulso definitivo para seu sucesso econômico. A sociedade, denominada "Società del Cedro", passou a negociar freqüentemente com a Alemanha, Itália e importantes cidades do Brasil como Rio de Janeiro e Santos. Os pedidos aumentavam gradativamente, bem como o número de cooperados. A sociedade, além de ver aumentar seu desempenho econômico, também passa a ser um ponto de encontro social, com cancha de "boccia", entre outros atrativos para a sociedade.
Em 1910, atendendo novas exigências da legislação brasileira, a cooperativa se reestruturou, e passou a denominar-se "Sociedade Cooperativa de Responsabilidade Limitada de Rio dos Cedros".
A cooperativa operava em prédio próprio (até hoje existente no centro de Rio dos Cedros), tinha contabilidade e atas registradas em livros. Diversos jornais da época se reportavam ao sucesso da cooperativa, e dos benefícios que trazia aos agricultores.
Nesse ritmo, a cooperativa seguiu operante por vários anos. Com a tragédia da 1ª Guerra Mundial (1914 - 1918), as vendas para os países europeus ficaram seriamente comprometidas, de sorte que se aumentou a venda para os mercados internos, principalmente Rio de Janeiro e Santos. Instalou-se também uma filial da cooperativa em Indaial, o que possibilitou a expansão das atividades tendo em vista a melhor localização e facilidade de transporte.
A partir da década de 20 ocorreu uma significativa mudança na economia rural das colônias italianas, com a intensificação da plantação de arroz que, pouco a pouco, tomou definitivamente o lugar do tabaco como principal produto de mercado. Tendo em vista esses novos rumos, os cooperados deliberaram e aprovaram a compra de um moderno engenho de arroz, que foi instalado na filial da cooperativa, em Indaial.
Todavia, esses novos empreendimentos coincidiam com o declínio financeiro da instituição. A cooperativa passou e ter grandes dívidas, sem perceber a completa dilapidação de seu capital. Outras ocorrências, como desentendimentos internos, o fato de que muitos cooperados deixavam em segundo plano suas obrigações com a cooperativa e negociavam seus produtos com outros comerciantes, fizeram, aos poucos, com que a cooperativa fosse perdendo forças e tendo seus quadros esvaziados.
A cooperativa passou a implantar diversas medidas, como o pedido de empréstimo aos cooperados e a exclusão dos que não cumprissem rigorosamente as normas estatutárias. Na década de 40 a cooperativa tomou algumas medidas mais drásticas, como venda de parte do maquinário, a baixa definitiva da filial em Indaial, bem como a cobrança de dívidas há muito tempo esquecidas. Essas atitudes, acompanhadas de um rigoroso controle de despesas e balanço fiscal permitiram que a sociedade voltasse a aumentar seu estoque e operar com lucro.
Todavia, apesar da regularização das finanças, não foi possível revitalizar o ânimo e a vontade dos agricultores em continuarem com o sistema cooperativo. Poucas pessoas permaneciam nos quadros, resultando, no ano de 1950, em uma assembléia geral com todos os sócios remanescentes em que foi acordado o encerramento da cooperativa. No ano seguinte, precisamente em 18 de junho de 1951, foi realizada a última assembléia geral, onde foram expostos todos os resultados da operação, e dada por encerrada a cooperativa, após mais de 50 anos de existência.
A cooperativa de Rio dos Cedros marcou época para toda uma geração, e serviu de prova da indiscutível capacidade dos imigrantes e seus descendentes, que apesar de estarem distantes dos grandes centros e não possuírem conhecimentos técnicos e administrativos necessários, conseguiram fazer prosperar um sistema cooperativista forte, que por muitos anos trouxe lucro e benesses, aumentando a qualidade de vida da população riocedrense.
Além deste empreendimento de sucesso, outra cooperativa existente no território de Rio dos Cedros foi a "Sociedade Cooperativa de Santo Antônio Ltda.", situada no centro da comunidade de Santo Antônio. Conforme apurado pelo historiador Aléssio Berri, essa cooperativa operou entre os anos de 1890 a 1940 aproximadamente, e possuía estoque bastante variável de produtos a serem vendidos para seus associados. Essa cooperativa também realizava a venda do tabaco produzido pelos associados nos mercados do Rio de Janeiro, e nos últimos anos de sua existência adquiriu caminhão próprio para distribuição e transporte de mercadorias. Conforme relata o citado historiador, maiores informações não puderam ser apuradas pela inexistência de documentação.
Por fim, há de se ressaltar que o desenvolvimento do cooperativismo em Rio dos Cedros impulsionou o surgimento de outros empreendimentos desse gênero nas colônias italianas de Blumenau e região, alavancando suas economias e valorizando o trabalho do simples agricultor.

por Andrey José Taffner Fraga

Livros Consultados:
BERRI, Aléssio. Imigrantes italianos criadores de riquezas. Blumenau: Fundação "Casa Dr. Blumenau", 1993.
VICENZI, Victor. História de Rio dos Cedros. Blumenau: Fundação "Casa Dr. Blumenau", 1975.

 

1926 - À esquerda, casa de comércio da Sociedade Cooperativa Rio dos Cedros. Vendia diversos artigos no varejo e atacado, fazendas, fumo, alimentícios, vestuário entre outras dezenas de produtos. Em primeiro plano, a antiga estação ferroviária. Logo atrás, o depósito da mesma Sociedade Cooperativa, de onde os produtos eram transportados em carroças para Rio dos Cedros, onde ficava a matriz. Também pode-se avistar as igrejas Evangélica Luterana (esquerda) e Católica (direita).  Fonte: http://www.saudosaindaial.com.br/category/fotos-de-1920-a-1930/

 

 

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Documento de grande valor histórico é doado ao Circolo Trentino

 

As primeiras atas da antiga cooperativa de Rio dos Cedros foram encontradas nos escombros de uma casa em Balneário Camboriú - confira a história e, ao final, veja como acessar a íntegra desse importante documento histórico


 

No dia 31 de maio, em Rio dos Cedros, foi repassado, para o Circolo Trentino, um importante documento histórico da cidade. Tratam-se das primeiras atas da antiga cooperativa da cidade, fundada pelos imigrantes trentinos e seus descendentes. O documento foi encontrado na demolição de um antigo casarão, no bairro Barra Sul, da cidade de Balneário Camboriú. O empresário Antonio Ailton Martins, que tem 53 anos, é técnico hidráulico e residente da cidade, encontrou o material abandonado após a demolição da casa. Teve o cuidado de guardá-lo bem por vários anos. Após identificar a cidade de origem do documento, resolveu entrar em contato com a entidade cultural que a representa, no caso, o Circolo Trentino, para entregar o documento.

Uma vez em posse do Circolo Trentino, tal registro foi estudado e analisado a fundo, para que se pudessem fazer as ligações dele com a história e os acontecimentos da cidade. O resultado se apresenta abaixo:
Documento: Verbale del consiglio di amministrazione della società cooperativa Rio Cedro

Tratam-se das primeiras atas da antiga cooperativa de Rio dos Cedros. Todos os registros foram escritos em italiano gramatical.

Para entender a importância desse documento, é necessária uma premissa: na história do cooperativismo em Rio dos Cedros, registra-se a fundação de duas cooperativas que não passaram dos primeiros anos: a "Società del Tabaco", fundada em 1893, e a "Società di Mutuo Socorso", de 1897. Ambas, como exposto, não progrediram. A terceira e vitoriosa tentativa resultou na fundação da “Socièta cooperativa di Rio Cedro”, em 1899, sob a liderança de Andrea Largura e de Giovanni Rossi. Esse livro de atas se refere a essa cooperativa (cuja sede está até hoje preservada, no centro da cidade, em frente ao estacionamento do antigo Banco BESC).

Apesar de a primeira data registrada na ata ser 1904, acredita-se que essas sejam as primeiras anotações sobre as atividades da cooperativa, visto que as próprias atas indicam que elas seriam as primeiras a serem registradas. 

O livro de atas em questão se inicia com os nomes da diretoria eleita na assembleia de 28 de abril de 1904:

Presidente: Silvio Campestrini
Vice-presidente: Sperandio Bendotti
Cassiere: Eugenio Floriani
Fiscale: Giuseppe Christelli
Consiglieri (conselheiros): Lino Paternoli, Luziero Buzarello, Giuseppe Ghadotti, Eugenio Campregher, Ignazio Trizoto, Abramo Gianpiccoli, Antonio Lenzi, Batista Buzarello, Domenico Largura, Luiggi Brancher.

Já na sessão de 6 de agosto de 1904, são eleitos o secretário e vice-secretário, Domenico Largura e Sperandio Bendotti, respectivamente.

Percebe-se que alguns nomes foram escritos com pequenos erros, mas optamos por manter a transcrição fiel ao que consta na Ata. Também é possível perceber que, entre os nomes elencados, alguns se referem a imigrantes, e outros a filhos de imigrantes. Algumas dessas pessoas tiveram atuação destacada na comunidade colonial riocedrense, como o sr. Sperandio Bendotti, que foi inspetor de quarteirão (responsável pelos registros civis nas antigas colônias).

Ademais, tal documento trás passagens que relatam como era feito o comércio do tabaco, principal item de exportação de Rio dos Cedros, além de relatar como funcionava a própria cooperativa.

Em determinado momento é retratada a passagem de Giovanni Rossi por Rio dos Cedrios. Esse senhor, fortemente ligado às ideias liberais e socialistas, foi prontamente repudiado pelo clero local e pela sociedade de então. Mas, mesmo assim, desenvolveu importantes sistemas agrícolas em Rio dos Cedros, e muito auxiliou os colonos (inclusive na criação da cooperativa), antes de deixar definitivamente a colônia. 

Ao final, percebe-se que esse livro, que serviu para o registro das atas da cooperativa, também serviu para o registro de pequenas biografias de riocedrenses. Tal fato apenas aumenta a importância desse documento para a história das famílias da cidade.

Em resumo, trata-se de um documento de interesse para todos que pesquisam a história e cultura de Rio dos Cedros.

Repercussão na mídia 

Como exposto, esse documento foi encontrado na demolição de uma antiga casa do bairro Barra Sul, da cidade de Balneário Camboriú. 

Ainda não se sabe ao certo como esse documento foi parar em tal casa. Existem diversas suspeitas. Todavia, por hora, o que se sabe é que tal achado gerou forte repercussão.

Antes mesmo de ser entregue ao Circolo Trentino, o documento foi apresentado, no dia 30 de maio, no programa “Panorama Geral”, do canal “TV Panorama Litoral”, que é coligado à TV Cultura. Esse documento foi apresentado ao vivo durante tal programa, oportunidade na qual se tratou um pouco sobre a história de Rio dos Cedros.

Em seguida, no dia 31 de maio, o documento foi entregue aos cuidados do Circolo Trentino di Rio dos Cedros para estudos e análises, para que se verificasse a importância e o contexto histórico do documento.

Posteriormente, em 9 de julho, o documento foi novamente apresentado ao vivo no programa “Panorama Geral”, dessa vez com a participação de Andrey José Taffner Fraga, vice-presidente do Circolo Trentino di Rio dos Cedros. Na ocasião, ele explicou o contexto histórico no qual se inseria tal registro, além de ter contanto um pouco sobre a história de Rio dos Cedros e ter apresentado um pequeno vídeo com imagens da cidade. Nesse mesmo programa, sob o comando do apresentador Gilberto Luz, foi oficialmente assinado o “Termo de doação”, momento no qual o documento passou a integrar o patrimônio do Circolo Trentino.

Para acessar o documento histórico:

O Circolo Trentino di Rio dos Cedros tornou esse documento acessível a todos os interessados, por meio da internet.

Para visualizar e fazer o download desse documento histórico, basta acessar o seguinte link:

http://www.mediafire.com/view/81w1cybzvnz29fu/verbale.pdf

Como se trata de um arquivo extenso, a visualização pode demorar um pouco, dependendo da conexão que o usuário tiver disponível. Para baixar o arquivo para o seu computador basta clicar no botão “Download”, no canto superior esquerdo da página. Então o usuário será redirecionado para outra página, bastando então confirmar, clicando novamente em “Download” – botão em verde do canto superior esquerdo da página.

Para conhecer mais sobre a história do desenvolvimento do sistema cooperativista de trabalho em Rio dos Cedros, basta visitar o nosso site, no seguinte link:http://www.circolotrentino.com.br/site/conteudo/index.php?id=11149 

 

 


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