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História

Publicado em 01/04/2014 às 13:57 - Atualizado em 17/02/2020 às 15:06

História da Colonização de Irati

A história do município de Irati começa na sua pré-colonização. Os indígenas da tribo Guarani habitavam esse território em grupos. Viviam em cabanas construídas com esteiras de taquaras inteiras, preenchidas com barro, cinza e água.  A sobrevivência consistia da caça e da pesca, com flechas e arcos. Eles viviam com base na tradição e na cultura do convívio harmônico com o meio ambiente.

Conforme o relato de um dos primeiros colonizadores de Irati, Antônio Vedana Sobrinho, no ano de 1944, os pioneiros do Rio Grande do Sul João Beux (tio), João Beux Sobrinho, Guilherme Hack e José Kielink, donos da área, entraram na mata virgem, abrindo piques de foice e facão, na presença do engenheiro agrimensor Carlos Prause, para traçar as terras. O território foi dividido em colônias de 24 hectares. Outra parte da área do município de Irati, onde abrange as atuais Comunidades de Jacutinga, Sete de Setembro e Vila Flor, foi adquirida por André Marafon.  O território iratiense integrava o Distrito de Campo Erê, município de Chapecó.

No ano de 1944, o casal Carlos e Heldi Ianer migraram para Barra Grande, o primeiro nome dado a Irati, a pedido do empresário João Beux. O propósito era acolher os migrantes e atuar como revendedor de terras.

As primeiras famílias a colonizar Irati foram: João Hunjas e Ermínia Krans Hunjas, Rolando Rieder, Guerino Vedana e Vergínia Cason Vedana, Catarina Dal Santo, viúva de Angelo Mazzo, Vitório Nervis e Luiza Marcolina Nervis, Rodolfo e Bertha Meurer, Paulo Beckhauser e Maria Warmiling Beckhauser, Conrado Kurek e Adelaide Sclup Kurek, Albino Thebaldi e Nair Bodanese Thebaldi, João Nolasco de Campos e Dorvalina Demarchi Nolasco de Campos, José Mário Matievicz e Verônica Benca Matievicz, Augustinho José Tedesco e Alice Rissardo Tedesco, Leopoldo Sclup e Elza Jahan Sclup.

No ano de 1947, foi instalado o primeiro moinho hidráulico pela família de Catarina Dal Santo na localidade de Barra Grande. Antes dessa instalação, o moinho mais próximo localizava-se em Xaxim, a 80 quilômetros de distância, a viagem de ida e volta totalizava 160 quilômetros. Para a época era uma distância a ser percorrida a cavalo em até seis dias.

Em 1949, os moradores de Barra Grande se depararam com o primeiro óbito da localidade, foi a morte de Vitório Nervis. As poucas famílias que residiam escolheram o cemitério, localizado nas proximidades do portal de acesso da SC-159, em direção a Formosa do Sul. Anos mais tarde, o cemitério foi transferido para próximo à cidade, na saída para Jardinópolis.

A implantação da comunidade de Barra Grande, inicialmente, teve um caráter extrativista, ou seja, de explorar as matas. Num segundo momento, a atividade agrícola teve início, com a produção de grãos e de animais para a subsistência. Conforme a economia local foi desenvolvendo, os colonizadores iniciaram a venda dos produtos colhidos nas propriedades.

Os primeiros comerciantes de Irati com bodegas e armazéns foram: Santo Garrafetti, Carlos Ianer e Paulo Beckhauser. Três importantes conquistas da sociedade só chegaram à localidade, anos mais tarde da colonização. A energia elétrica chegou, na área urbana, no início da década de 70. O primeiro posto dos Correios foi implantado em 1971 e a primeira linha telefônica foi instalada em 1985.

Desafios do setor da saúde

A evolução que se instaurou com a criação do povoado impôs alguns desafios, especialmente, com relação aos cuidados da saúde das pessoas. No final da década de 40 e início da de 50, o que fazer quando alguém ficava doente se o hospital mais próximo estava localizado em Chapecó ou Xaxim?

Em muitos casos, a distância foi o divisor entre a vida e a morte. Nas situações de conduzir o doente ao hospital, levava-se até Coronel Freitas, no lombo de um animal, depois passava a ser conduzido de automóvel ao hospital de Chapecó ou de Xaxim.

Para amenizar essa demanda e facilitar os cuidados com os doentes, no ano de 1949, veio morar no vilarejo, a família Beckhauser. Dona Maria, esposa de Paulo, começou a desempenhar a missão de parteira, fazia curativos, aplicava injeções e sabia receitar chás de ervas. Não era uma profissional com faculdade, mas sua doação ao trabalho voluntário foi essencial para salvar vidas, na localidade.

No ano de 1956, Barra Grande acolhe o dentista prático Selvino Ponzoni, logo depois, o farmacêutico Álvaro Costa, este ficou apenas dois anos. Em 1964 foi instalado um posto de medicamentos, para atender os moradores, nas necessidades de primeiros socorros. No ano seguinte, o médico Pedro Marafon passou a fazer consultas, uma vez por semana, nos casos mais graves, os doentes eram encaminhados para o Hospital de Quilombo.

Influência religiosa

Os primeiros colonizadores tinham influências religiosas cristãs. A maior parte das famílias eram adeptas ao catolicismo. A primeira missa foi celebrada em solo iratiense no dia 7 de dezembro de 1946, pelo frei José Ghunses de São Carlos que veio em missão, montando a cavalo.

A celebração aconteceu na rústica casa de propriedade do colonizador Rodolfo Meurer, local em que era rezado o terço. Na ocasião, o frei celebrou o casamento de João Dal Santo e Loudes Nervis. Duas crianças foram batizadas: Noêmia Bach e Avelino Nervis.

A Igreja Luterana tinha seus fiéis, a família do colonizador Leopoldo Sclup frequentava esse credo.

Com o aglomerado de famílias católicas crescendo, houve a necessidade de construir um ambiente para rezar. A primeira capela foi erguida em 1947, com tabua lascada a braço. Os pregos foram doados pelo empresário João Beux Sobrinho. Conciliou-se o local para usar como sala de aula dos alunos filhos dos colonizadores.

Com a construção deste modesto templo religioso, foi reunida a comunidade para promover a primeira festa e inaugurar o local. Na oportunidade, houve a presença do Frei de São Lourenço do Oeste, conhecido por Valério, o segundo padre a visitar a localidade de Barra Grande.

Em sua visita, o padre designou o senhor João Dal Santo como capelão. Nessa função tinha a missão de fomentar os encontros, presidir a oração e manter o elo de unidade social entre às famílias. As primeiras catequistas e professoras foram Irma e Terezinha Beckhauser. Logo após, houve a colaboração de Alice Rissardo Tedesco e Olinda Tedesco.

O primeiro bispo a visitar a localidade foi Sabóia Bandeira de Mello vindo da cidade de Palmas Paraná. Ele esteve presente no ano de 1947 para realizar a primeira crisma.

No dia 20 de maio de 1959, foi inaugurada a segunda capela de Irati. Um templo maior, construída com tábuas beneficiadas, ficou bonita, acolhedora e conhecida como a Capela do moro. O local foi doado pelo empresário João Beux Sobrinho e o padroeiro era São Jorge.

Anos mais tarde, foi desmanchada e reconstruída no centro de Irati. Serviu de Capela e pavilhão comunitário, por quatro anos. Na sequência, foi construída de alvenaria a capela Imaculada Conceição, inaugurada no dia 8 de dezembro de 1975, com a presença do bispo diocesano José Gomes.

 Educação

Com a instituição da Vila Barra Grande, no ano de 1950, as famílias perceberam a necessidade de construir um ambiente para esta finalidade. Até então, a capela servia de escola, nos dias de semana. Para construir a escolinha, a comunidade recebeu a doação do material do empresário João Beux Sobrinho.

A primeira professora, não intitulada pelo Estado Brasileiro, foi Irma Beckhauser. Ela morava no local e se dispôs a ensinar as crianças, filhos dos colonizadores de Irati, recebia um ordenado pago pelos pais dos alunos.

No ano de 1951, a escola foi municipalizada e passou a pertencer ao município de Chapecó. O trajeto de 85 quilômetros era feito no lombo de cavalo, mensalmente, pelos professores para receber o ordenado e participar de reuniões pedagógicas.

Com a criação da Escola Reunida Jurema Savi Milanez de Quilombo, no ano de 1956, diminuiu o trajeto dos professores de Barra Grande para receber o ordenado e receber as orientações. A pedido dos moradores da comunidade, no ano de 1960, a Escola Isolada Municipal passou a se chamar Escola Isolada Estadual.

Dois anos depois, com a ajuda do prefeito interino de Quilombo, Ângelo Zucchi, foi elevada para Escola Reunida Professor Celso Rilla. O nome foi dado pelas autoridades escolares da época, como homenagem ao professor que tanto trabalhou para o Estado Catarinense. No ano de 1975, o Governo do Estado alterou o nome para Escola Básica Professor Celso Rilla.

Com o aumento das famílias e do número de crianças, foi necessário construir uma unidade de ensino maior. Com o aval do governador do estado, Colombo Machado Sales, foi construído o novo prédio no ano de 1976.

Paralelo a evolução do processo de ensino, na Vila Barra Grande, foram sendo construídas dez Escolas Isoladas pelo interior do município. São elas: Jorge Lacerda de Linha Flor da Serra, Nossa Senhora das Graças de Linha Cordasso, Imaculada Conceição de Linha Conceição, Nova União de Nova União, Linha Esperança de Linha Esperança, Jacutinga de Linha Jacutinga, João Cândido Linhares de Linha Jordaninho, Nossa Senhora da Saúde de Linha Lajeado Santo Antônio, Nossa Senhora Aparecida de Barra Escondida e Lajeado São Pedro de Linha Lajeado São Pedro.

Com a implantação do município em 1993, o número de matrículas aumentou, porque foi disponibilizado o transporte escolar. Em meados da década de 90 teve início o processo de nucleação das escolas do Ensino Municipal. Ou seja, foram sendo fechadas as unidades de ensino do interior, com a redução do número de alunos.

Com essa medida, os estudantes do interior foram conduzidos para estudar no Centro de Ensino Municipal de Irati (Cemir). Além desta unidade de ensino, a Secretaria Municipal de Educação de Irati conta com o Centro Municipal de Educação Infantil (Cemei) e a única escola que permaneceu do interior: Escola Municipal Jacutinga, atualmente, localizada na Linha Sete de Setembro. Foi remanejada para as instalações da antiga unidade de ensino do Estado, EEB Princesa Isabel, desativada.  

Caminho da independência administrativa

Na memória dos pioneiros, a localidade de Barra Grande, hoje município de Irati, foi colonizada a partir de 1944. No período de duas décadas, Barra Grande foi reconhecida como um vilarejo de Chapecó.

A partir da instituição do município de Quilombo, no dia 6 de outubro de 1961, foi escolhido o primeiro prefeito Pedro Rossetto (PSD), eleito pelo voto direto e secreto. Atendendo ao clamor local, este gestor teve um papel essencial na história administrativa de Irati, porque no dia 6 de março de 1964 cria o Distrito da Barra Grande e, no ano de 1965, sanciona a Lei Municipal Nº 1.018 a qual alterou o nome de Barra Grande para Irati.

A instalação oficial do Distrito aconteceu no dia 26 de maio de 1966. A solenidade contou com a presença do prefeito Pedro Rossetto, do juiz de direito da Comarca de Xaxim Dirceu Braga, do escrivão da comarca Onório Romano Alberti, do padre Vadislau, vereadores e a população local.

A solenidade foi realizada na segunda capela de Barra Grande, a capela do moro. Na oportunidade foi celebrada uma missa de ação de graças. A escolha do nome Irati aconteceu pelo Poder Legislativo de Quilombo, município mãe. Consta de que a origem deste nome partiu da quantidade de abelhas produtoras de bom mel existentes na região (irati ou aracin), de origem Tupi-Guarani.

O primeiro intendente exator, nomeado pelo prefeito de Quilombo, foi Ernesto Fante, responsável pela cobrança de impostos e apoio aos funcionários que se deslocavam de Quilombo para Irati com o objetivo de prestar serviços.

Processo de emancipação

No ano de 1989 é instalada uma comissão para defender os interesses do povo iratiense para a emancipação político-administrativo. No decorrer do processo, foi no ano de 1991 que aconteceu o plebiscito na área emancipada para pedir a autorização, esta concedida junto aos eleitores locais. No dia 9 de janeiro de 1992, a Assembleia Legislativa de Santa Catarina aprova o Projeto de Lei Nº 8.528, que cria o Município de Irati.

No dia 3 de outubro de 1992 acontece a primeira eleição para escolha dos membros dos Poderes Executivo e Legislativo de Irati. Sendo o primeiro prefeito eleito, Miguel Roil Devise (PFL), tendo como vice-prefeito José Filippi (PDS). 


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